Estudo esclarece mecanismo de modulação da autofagia ligada a morte celular induzida por luz


Em um estudo publicado na revista Autophagy, pesquisadores do CEPID Redoxoma, liderados pelo professor Mauricio S. Baptista do Instituto de Química da USP, apresentaram novas descobertas sobre a relação entre danos em mitocôndrias e lisossomos, autofagia e morte celular induzida por luz.

O objetivo principal da pesquisa foi entender como danos simultâneos em mitocôndrias e lisossomos afetam a autofagia e, consequentemente, a eficácia da morte celular induzida por fotossensibilização. Os pesquisadores investigaram células humanas queratinócitos (HaCaT) e células tumorais tratadas com dois compostos fenotiazínicos: azul de metileno (MB) e 1,9-dimetil-azul de metileno (DMMB).

Os pesquisadores irradiaram essas células com luz para ativar os fotossensibilizadores, que provocam a formação de espécies oxidantes. Esses danos foram observados para entender como a autofagia, um processo de degradação e reciclagem celular, é modulada em resposta ao estresse oxidativo.

Principais Descobertas
  • Dano Paralelo: O estudo revelou que o dano simultâneo nas membranas de mitocôndrias e lisossomos ativa e inibe a autofagia, resultando em uma morte celular mais eficiente. Este processo é crucial para entender como induzir a morte celular específica em células tumorais.
  • Efeito dos Fotossensibilizadores: DMMB: Este composto causou dano específico e localizado nas membranas das organelas, levando à ativação da mitofagia (degradação seletiva de mitocôndrias). No entanto, como o dano foi paralelo no lisossomo, o processo não foi concluído, resultando em morte celular.
  • MB: Ao contrário, o azul de metileno causou um estresse oxidativo generalizado, levando a uma morte celular combinada de necrose e apoptose, especialmente em concentrações mais altas.

Impacto na Terapia Fotodinâmica (PDT): A pesquisa destaca que a PDT, uma técnica que usa luz para ativar fotossensibilizadores e induzir a morte celular, pode ser aprimorada ao modular a autofagia. Isso sugere novas direções para o desenvolvimento de tratamentos antitumorais mais eficazes.
Contribuições e ImplicaçõesDesenvolvimento de Novos Fármacos: A pesquisa abre portas para criar fármacos que podem otimizar a terapia fotodinâmica ao controlar a autofagia e melhorar a eficácia no combate ao câncer.
Avanços no Entendimento da Autofagia: A compreensão de como o dano paralelo afeta a autofagia pode levar a novos métodos para induzir morte celular seletiva e tratar diversas patologias.

Contexto Anterior
Este estudo complementa uma pesquisa anterior publicada em 2015, onde os pesquisadores já haviam identificado que danos paralelos em mitocôndrias e lisossomos tornavam a autofagia destrutiva. O novo estudo usa fotossensibilizadores e luz para expandir essas descobertas.

Conclusão
O trabalho do grupo do prof. Marício Baptista é um avanço significativo na compreensão dos mecanismos de autofagia e morte celular. As descobertas têm o potencial de transformar a terapia fotodinâmica e o desenvolvimento de tratamentos antitumorais, oferecendo novas estratégias para enfrentar o câncer com mais eficácia.

Acesse o artigo completo pelo link: https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/15548627.2018.1515609

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